quarta-feira, 31 de outubro de 2012

MAIS UM POEMA CAMPEIRO.(LENÇO COLORADO)


                     LENÇO COLORADO.

                  Este trapo vermelho
                É de muita estimação
              Lo guardo como recordação
             Lá da fazenda três passos
              Dou de rédeas na lembrança
             E como o causo passado
              Este lenço colorado
               Eu ganhei com um tiro de laço.
               Era mês de setembro   
              Num dia de marcação
              Havia um tal boi rabão
              O respeito da peonada
              Iam largando porteira afora
              E o tal boi ia ficando
              E a peonada no mais deixando
             Pois respeitavam sua fachada.

             
              Então falou o dono da estância
             O Coronel João Machado:
              - Há um lenço colorado
             Pra quem peale o rabão!
             Que é este lenço assim escrito
             Lembrança da fazenda três passos
             Prêmio por um tiro de laço
             Num dia de marcação.
            Eu não sou mui medroso
            Não refugo touro malo
            Gritei: -Deixe, no mas, que eu pealo
            Sem ao menos pensar
            Acomodei os arreios
            Armei meu quatorze braça
            Quadrei a égua picaça
            E disse:- Toca o bicho pra cá.


           Apartaram-no na mangueira 
           E gritaram: lá vai o rabão
           Arrancando terrinha do chão
           O bichano cruzou
           Levantei o quatorze braça
           E a largada foi certeira
           Lá adiante levantou poeira
           E o bichano no chão rolou
           Abanando com o chapéu
         Toda a peonada falou:
          -Viva o pealador
         Que ganhou o lenço colorado
         Um presente da fazenda três passos
         Mostrou que é encorajado.


       Todos os peões da estância me cumprementaram
       E o lenço colorado
       No meu pescoço foi amarrado
       Pelo próprio patrão
       Hoje me serve de lembrança 
       Daquele tiro de laço
       E da fazenda três passos
       Lá no velho rincão.



      Este trapo vermelho
      É de muita estimação
      Lo guardo como recordação
      Lá da fazenda três passos
      Dou de rédeas na lembrança
      E conto o causo passado
      Este lenço colorado
      Que eu ganhei com um tiro de laço.

               Livro: Rancho de Leivas, e outros 
              Poemas que a vida fez.
              Autor: Jilnei Brasil Rodrigues.
              Arroio Grande/2011.
            Postado por:Paulinho da Mídia.
 
     










            
            
             

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